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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Charles Lindbergh e a travessia do Atlântico

Charles Augustus Lindbergh nasceu em 1902 e desde muito jovem se interessou pela tecnologia em geral. Começou a estudar engenharia, mas não se apaixonou suficientemente e em 1922 decidiu mudar-se para Nebraska e aprender a voar. Em 1923 adquiriu um Curtiss Jenny e começou a praticar acrobacias aéreas.  Um ano mais tarde se inscreveu na escola de vôo do Exército do Ar Estadunidense em San Antonio (Texas), onde se graduou com o número 1 da turma de 1925. Ainda como membro do Exército do Ar, Lindbergh começou a trabalhar como piloto em vôos postais de Chicago a St. Louis.
Pouco depois, Lindbergh se sentiu atraído pelos recordes aéreos. Em 1919 o hoteleiro Raymond Orteig havia oferecido 25.000 dólares ao primeiro piloto capaz de voar de New York a Paris sem realizar escalas. A obsessão de toda a nação acabou sendo também a de Lindbergh. René Fonck, piloto de caça francês durante a Primeira Grande Guerra já havia efetuado algumas tentativas sem sucesso em 1926. Lindbergh se lançou então em busca de recursos financeiros.
Com o respaldo financeiro de um grupo de empresários de St. Louis, Lindbergh tentou chegar a um acordo com Charles Levine pelo uso do seu Wright Bellanca. No entanto, o trato nunca se efetuou por causa da disputa sobre quem deveria pilotar o avião.
Em 1927, o premio de Orteig de 25.000 dólares atraiu novos aspirantes. Charles Levine e Clarence Chamberlain pilotariam seu Columbia, Fonck preparou um biplano Sikorsky, Richard Byrd um Fokker trimotor chamado America e Noel Davis e Stanton Wooster também entraram no jogo. Lindbergh partiu de San Diego para fazer um acordo com a companhia Ryan, para a construção de um novo desenho. Por 6.000 dólares mais o motor fabricariam o N-X-211 RYAN NYP, mais conhecido como Spirit of St. Louis. Transcorridos dois meses, e com um custo final de 10.850 dólares, Lindbergh disponha do avião que lhe permitiria atravessar o atlântico.
Antes que Lindbergh realizasse seu vôo, os demais rivais haviam testado suas aeronaves. O Columbia de Levine e Chamberlain rompeu o trem de pouso; o America de Byrd sofreu uma falha estrutural e três membros da sua tripulação acabaram feridos; Davis e Wooster morreram nas provas. Dois franceses, Charles Nungesser e François Coli, decolaram de Paris em maio de 1927 a bordo do L’Oiseau Blanc com o intuito de realizar a travessia, mas nunca chegaram a Nova Iorque.
O desenho monoplano do Spirit of St. Louis e a consequente ausência de um co-piloto obrigava Lindbergh a encarregar-se também dos trabalhos mecânicos e a manter-se alerta durante todo o tempo do vôo. No entanto, tudo parecia ir de vento em popa, pois piloto e aeronave haviam estabelecido um novo recorde de velocidade transcontinental ao voar de San Diego a New York em somente 21 horas e 20 minutos.
Em 20 de maio de 1927, com 2.050 litros de combustível e cinco sanduiches, um cansado Charles Lindbergh decolou de Roosevelt Field (New York). Depois de superar todos os obstáculos e inconvenientes, 33 horas e 30 minutos mais tarde, seu avião pousa em Le Bourget (Paris) e Lindbergh se convertia em herói de toda uma nação. Pouco depois de sua façanha, realizou um giro pela Europa.
Em seu regresso a New York, a bordo do USS Memphis, Lindbergh foi recebido com o maior desfile de todos os tempos, recebeu a medalha de Honra do Congresso, foi promovido a coronel do Exército do Ar e recebeu a distinta Cruz de Vôo. Também recebeu diversas ofertas para figurar em comerciais, porém ele sempre as recusou alegando que era um piloto, não um anunciante. Escreveu suas memórias que se converteram em um grande êxito de vendas. Mais tarde empreendeu com seu Spirit of St. Louis um Giro da Boa Vontade pelas Américas. Em uma das etapas, no México, conheceu sua futura esposa, Anne Morrow.
Seus vôos no comando do Spirit of. St. Louis demonstraram que o avião era um meio de transporte seguro e confiável. As ações das empresas aeronáuticas subiram rapidamente e o interesse do público por voar foi aumentando. Em 1927, Lindbergh foi consultor técnico da Pan American World Airways e contribuiu com a fundação da Trans-continental and Western Airlines (TWA).    

domingo, 11 de setembro de 2011

Harriet Quimby: a heroína ofuscada


Quimby
Harriet Quimby nasceu no estado de Michigan (EUA) em 1875, estabelecendo-se em Nova Iorque como fotoperiodista no Leslie’s Illustrated Weekly. Em outubro de 1910 conheceu John e Matilde Moisant no Torneio Aéreo Internacional de Belmont Park, onde John ganhou a corrida ao redor da estátua da Liberdade para a equipe estadunidense. Diferentemente da escola de vôo dos irmãos Wright, que não admitia mulheres, o centro que John e seu irmão Alfred comandavam não impediu o ingresso de Harriet e Matilde. Havia mulheres que pilotavam aviões em exibições e encontros aéreos, porém nenhuma dispunha da licença de piloto: Harriet a obteve em 1 de agosto de 1911.
Acionando manualmente o motor do seu avião
Depois de exibir-se em espetáculos aéreos, Quimby decidiu realizar a travessia do Canal da Mancha concretizada por Louis Blériot, porém em sentido contrário. Para isso viajou ao Reino Unido em segredo para não despertar o interesse de uma potencial competidora e pediu emprestado um dos Nº XI de Blériot. Harriet Quimby decolou as 5h e 30min do dia 16 de abril de 1912 e pousou as 6h e 29 min a 48 km de Calais, próximo da localidade costeira de Hardelot. Seu vôo durou 20 minutos a mais que o de Blériot. Por desgraça, sua façanha foi ofuscada pelo afundamento do Titanic, ocorrido um dia antes. As celebrações de Quimby se limitaram a um brinde com champanhe oferecido pelos vizinhos de Hardelot, já que a tragédia no atlântico ocupava todas as manchetes dos periódicos do mundo todo.
Ao regressar aos Estados Unidos, ganhou até 100.000 dólares por cada exibição aérea realizada. Em 1º de julho de 1912, se apresentou no Terceiro Encontro Anual Aéreo de Boston em um monoplano de dois lugares e permitiu subir um passageiro. Era Willian Willard, Diretor da competição. Durante o vôo, o avião se inclinou em excesso para frente, e Willian desprendeu-se de seu assento, morrendo na hora. Sem o contrapeso de um passageiro, Quimby só pode controlar momentaneamente o avião e também chocou-se contra o solo. 
Primeira mulher com licença de piloto



Há diferentes teorias sobre o que fez o avião cambalear e inclinar-se de tal maneira: o emaranhamento dos cabos de direção? Algum movimento brusco do passageiro Willard? Não faltaram críticas sobre a ausência de cintos de segurança. O certo é que em tão somente 11 meses no ar, Harriet Quimby foi capaz de abrir caminho para muitas outras mulheres na aviação.   



O Nº XI de Blériot